Dor no quadril


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O quadril é composto por diferentes estruturas e a dor é um sintoma e alarme do seu corpo. De forma didática, a dor pode ser articular e extra-articular.


Dor Articular:

A dor articular está relacionada a possíveis processos degenerativos (de desgaste) da cartilagem que recobre essas estruturas ósseas, ou uma possível síndrome do impacto femoroacetabular, que se relaciona a alterações morfológicas entre essas estruturas, ou uma possível lesão do lábio acetabular ou também conhecida por muitos como lesão labral quando são encaminhados ao fisioterapeuta. O paciente geralmente refere a dor na região inguinal (virilha), sendo o diagnóstico realizado de maneira mais precisa pelo médico e funcionalmente pelo fisioterapeuta.


Dor Extra-Articular:

As dores extra-articulares estão relacionadas com o acometimento de estruturas que envolvem a articulação, mas não estão dentro dela, como os músculos, tendões e bursas. Podemos destacar a tendinopatia do glúteo médio, glúteo mínimo, as bursites, ou até pontos-gatilho de sobrecarga muscular. Todas essas lesões são colocadas em um mesmo pacote e reconhecidas como síndrome do trocânter maior.

Diferente das dores articulares, as dores extra-articulares costumam se apresentar mais na região lateral do quadril. Evidentemente, isso não é uma regra absoluta, pois existem situações específicas, que apenas o profissional é capaz de avaliar.


Será que foi algo que fiz para desenvolver essas lesões?

As dores articulares podem ter uma causa primária, isso é, decorrente do processo natural de envelhecimento, ou secundária que são decorrentes de lesões prévias em práticas esportivas de alto rendimento· Já as dores extra-articulares estão relacionadas a traumas diretos na região, desequilíbrio muscular ou sobrecarga por esforços nessas estruturas que não estão fortes o suficiente para receber aquela demanda. Por exemplo, um corredor iniciante que não fez um trabalho de fortalecimento prévio e ultrapassou o limite da capacidade dessas estruturas. Por isso, fique atento a sempre respeitar os limites do seu corpo e desenvolver um trabalho preventivo

O que eu devo fazer?

Prevenção

É importante um trabalho global de fortalecimento, em especial, de músculos que estabilizam o quadril, bem como desenvolver o treinamento sempre supervisionado e periodizado. Por isso, a importância do trabalho em conjunto e multidisciplinar de profissionais de Fisioterapia e Educação Física.


Reabilitação

O tratamento conservador com a fisioterapia é a opção primária nesses casos. Cada paciente possui características únicas que serão avaliadas pelo profissional, a partir disso, é organizado e direcionado um trabalho específico para o paciente. De maneira geral, o tratamento envolve um trabalho inicial para reduzir o quadro de dor através de liberações musculares, tração da articulação principalmente em casos de comprometimento articular, recursos eletrotermofototerapêuticos utilizados como coadjuvante, trabalho de mobilidade articular e uma abordagem secundária focando em um bom fortalecimento muscular com atenção aos músculos que mais enfraquecidos.


O que não fazer?

Se automedicar e mascarar sua dor, mantendo sua rotina como se não houvesse nenhum tipo de alerta em seu corpo. Caso você sinta dores na região, não hesite em procurar pelo tratamento adequado pois postergar seu tratamento poderá trazer prejuízos maiores a longo prazo e dificuldade para tratamento eficaz. Cultive e preze por qualidade de vida com saúde.


Raone Daltro, Fisioterapeuta Especializado pela ISCMSP responsável pelos atendimentos de fisioterapia ortopédica na Clínica La Posture