Cifose é doença: verdade ou mito?

Atualizado: há 6 dias



Mito!

Antes de começar a explicar o tema é importante compreender o que é uma cifose. A coluna possui diversas curvaturas fisiológicas, sendo a cifose a curvatura normal da coluna que se localiza na região torácica (meio das costas).


Além da cifose, são consideradas curvaturas normais da coluna as lordoses cervicais e lombares.


Hipercifose x Cifose

O que pode gerar confusão é a hipercifose, um aumento anormal da cifose torácica, popularmente chamada de corcunda.


O que é considerado normal? Uma cifose considerada normal possui uma angulação que pode variar entre 10 a 40º. Uma angulação maior que 40º pode ser considerada como hipercifose. Esse cálculo é feito pelo profissional e avaliado em imagem radiológica, porém para fechar o diagnóstico devem ser realizados o exame clínico, a coleta da história familiar e, em alguns casos, exames complementares são solicitados.


Fique ligado!

Algumas características de aumento da cifose são:

  • Cabeça projetada para frente comparada ao resto do corpo

  • Altura da parte superior das costas aparenta ser mais alta que o normal ao inclinar o tronco para frente

  • Diferença na altura dos ombros

  • Encurtamento da musculatura da parte posterior das pernas (isquiotibiais)

A hipercifose não costuma causar dores intensas, porém, em alguns casos podem ocorrer principalmente devido ao excesso de trabalho, permanecer muito tempo em posturas inadequadas e fraqueza muscular.


Causas

As causas variam desde causas congênitas, quando o indivíduo nasce com a alteração; patológicas, quando são adquiridas por doenças; traumáticas, em consequência de fraturas; ou posturais, adquiridas ao longo da vida em consequência de hábitos e posturas.


A hipercifose pode ser observada em qualquer idade. Em crianças e jovens essas alterações são menos comuns, e por estarem em fase de crescimento, essa curvatura ainda é flexível, o que facilita o tratamento conservador, que pode ser realizado por meio de fisioterapia e coletes, dependendo de cada caso. Porém, alguns casos específicos de doenças congênitas e patologias que levam a um grau mais severo dessa alteração, como comprometimento neurológico, pode ser optado pelo tratamento cirúrgico. Saiba mais em : Como saber se meu filho tem escoliose?


No caso de idosos, a causa dessas alterações é mais complexa. Diversos fatores podem contribuir para alterações degenerativas da coluna vertebral com a idade - Fraturas por compressão vertebral, má postura rotineira, diminuição da mobilidade da extensão da coluna, desidratação dos discos intervertebrais e redução da força dos músculos extensores das costas são outras causas comumente encontradas de hipercifose relacionada à idade.


Dependendo do grau e severidade, a hipercifose em idosos pode prejudicar a função pulmonar, o desempenho das atividades de vida diária, reduzir a qualidade de vida e predizer mortalidade em idosos. Além disso, marcha lenta e déficit de equilíbrio contribuem para o risco de quedas, principalmente em mulheres.


O que você pode fazer?


De modo geral, o aumento da curvatura torácica pode ser reduzido ou prevenido com fortalecimento (principalmente da musculatura das costas, core) associado a alongamentos (principalmente de peitorais e isquiotibiais). Mas não se engane, o alongamento sozinho não traz os mesmos resultados para a redução na curvatura da hipercifose! Sempre foque em fortalecer e alongar as musculaturas adequadas!


A terapia manual (técnica dos fisioterapeutas) também pode dar bons resultados quando associada a exercícios. Além disso, o tratamento ou preventivo deve ser feito pelo fisioterapeuta que trabalha com essa área física, postural ou ortopédica, em associação ao acompanhamento médico.


Caso você tenha observado a piora dessa corcunda com o home office e a pandemia, muitas vezes orientações simples de ergonomia podem te ajudar e muito!


Vale lembrar que cada caso é um caso, a forma do tratamento vai ser escolhida de acordo com uma avaliação médica adequada, de acordo com a idade, grau, severidade, dor e preferência do paciente, podendo ser optado por tratamento conservador ou cirúrgico nos casos mais graves.


*Colaboração Ana Clara Desiderio, fisioterapeuta especializada em atendimentos de fisioterapia ortopédica na Clínica La Posture e Renata Luri, fisioterapeuta doutora pela Unifesp e Griffith University.