Diagnóstico de problema na coluna não significa dor para sempre; entenda

Atualizado: Jul 26


Problemas na coluna

"Tenho dor na coluna e fiz uma ressonância. No laudo apareceram vários diagnósticos...Estou com medo de ter dores para sempre"


Primeiro, muita calma! Lembre-se que um laudo ou um diagnóstico não representam uma sentença de dor ou de doença para o resto de sua vida.


Mas provavelmente, se você está com esse laudo em mãos significa que você está investigando alguma dor ou desconforto nas costas, correto?


Então, vou rever primeiro sobre a dúvida das pessoas sobre sentir dores nas costas. Essa é uma condição comum que afeta 80% das pessoas e pode ter distintas causas. Sendo que até 95% dos casos são de lombalgias inespecíficas, isso é, não

atribuídas a uma causa conhecida.


Entendendo os termos do laudo:


Sinal de MODIC: na ressonância – aparece o grau de inflamação e de degeneração das vértebras adjacentes ao disco


Desidratação discal ou discopatia degenerativa: discos intervertebrais ressecados


Hipertrofia facetária ou osteofitose: presentes como uma reação do osso ao desgaste da cartilagem articular ou impacto, sobrecargas

Protrusão discal: deslocamento de porção da cartilagem do disco intervertebral

Extrusão discal: hérnia de disco - uma protusão discal com maior deslocamento do núcleo

Nódulo de Schmorl: esse nome assusta mais que a própria hérnia. Mas se trata de um tipo de hérnia em que não há compressão de nervo

Hemangioma: acúmulo de sangue no interior da vértebra

Fissura discal: ocorre na camada externa do disco, sendo comum nos níveis lombares baixos

"Mas como eu desenvolvi esses quadros se sempre fui super ativa!"

Esses achados de imagem como a hérnia de disco podem ocorrer com qualquer indivíduo, em especial os sedentários com fraqueza muscular ou que se sujeitam a sobrecargas e têm desequilíbrios musculares. Além disso, com o avançar da idade as chances aumentam a ocorrência, e outros fatores como tabagismo, variação genética e a influência ambiental parecem interferir.

Os fisioterapeutas especialistas ainda relembram que o diagnóstico da imagem não irá necessariamente justificar sua dor.

Vale a gente lembrar que a dor lombar é só a ponta do iceberg, isso é, é um sintoma! Cada caso evolui de forma diferente e depende do corpo e da rotina de cada indivíduo. Há pessoas que descobrem que tem uma hérnia e um bico de papagaio (osteófito) mas nunca apresentaram dores na região e se mantêm ativas, e o oposto também pode ocorrer. A fisioterapeuta especialista em ortopedia, Dra Ana Clara Desiderio, reforça a importância de se considerar o laudo como um adjuvante, mas a necessidade de avaliação clínica (testes funcionais e específicos) ao se avaliar cada quadro e se planejar algum tipo de abordagem para tratamento.


Ainda hoje a ciência mostra que, tanto como tratamento como prevenção, a abordagem mais eficaz que qualquer investimento caro medicamentoso é a prática de exercícios físicos.

Há uma variedade de tipos de exercícios que podem ser feitos sob supervisão adequada em uma fase não inflamatória ou aguda: treinamento de força e estabilização, alongamentos, exercícios de controle motor, pilates, treino de core, entre outros. Procure por profissionais de saúde que orientem seu caso especificamente.


Juliana Satake, Fisioterapeuta especializada pela UNICAMP e UNIFESP

Ana Clara Desiderio, Fisioterapeuta especilizada responsável pelos atendimentos de fisioterapia na Clínica La Posture