É normal sentir-se mais estressado no fim do ano: veja os sinais do corpo

Atualizado: há 7 dias


Estresse e dor de cabeça

Todo fim de ano você tem a mesma sensação de cansaço pairando no ar?

Sua tolerância com as atividades da rotina diminui e sua irritabilidade aumenta na mesma medida que você se sente mais sensível?


Saiba que se sentir assim nessa época do ano é mais comum do que você imagina.


Há dados que apontam que o nível de estresse é naturalmente maior nesses meses de novembro a dezembro, se comparados a quaisquer outros períodos do ano.


Somando-se a esse dado, em 2020, vivemos um cenário não muito favorável em relação ao balanço de final de ano. A maioria das pessoas possivelmente pode ter a sensação de falta de controle e desmotivação.


A pandemia afetou a todos, quem já se sentia sobrecarregado, pode ter se cobrado ainda mais trabalhando de forma remota. Quem reclamava de dificuldades financeiras, pode estar ainda mais apreensivo com o cenário atual. Sim, as perspectivas e planos mudaram e muito, neste ano! A ansiedade e a angústia podem aumentar quando há a sensação de que não há perspectivas de melhorias na vida pessoal ou profissional.


O fato é que lidar com situações desafiadoras e estressantes ao longo da vida é inevitável. Cada vivência e experiência têm a capacidade de levar a diferentes respostas fisiológicas do corpo. Conscientemente ou inconscientemente desenvolvemos habilidades e ferramentas para lidar da melhor maneira possível com frustrações e diferentes emoções.


Mas estresse tem sintomas?

É sempre bom aprender sobre estratégias para terminar o ano da melhor forma possível, com menos ansiedade e mais saúde mental e física. Mas, primeiro, é importante olharmos para o estresse e entender o porquê de reagirmos como reagimos.


O estresse ativa um conjunto de respostas em diferentes sistemas do corpo que têm como objetivo retomar o equilíbrio pelo desequilíbrio provocado pelo agente estressor que pode ser de natureza psicológica, ambiental e/ou fisiológica.


É como se o corpo respondesse diante de acontecimentos considerados de alguma forma ameaçadores ou desafiadores e provocasse uma série de reações em cadeia.


O problema do estresse crônico é que o organismo permanece em um estado de hipervigilância constante e gera diversos sinais e sintomas em diferentes partes do corpo:


Dor e tensão muscular: O cortisol inibe a produção de proteínas, e pode levar a uma constante sensação de mal-estar físico. Além disso, o estresse aumenta a tensão e gera co-contração de musculatura, o que pode gerar dores de cabeça e problemas de ATM.


Insônia: O estresse se relaciona a distúrbios do sono. Dormir pouco ou dormir mal pode desregular o funcionamento de uma série de hormônios e esse desequilíbrio no corpo leva a um estado de mais estresse.


Comportamento: O estresse interfere em hormônios que promovem a sensação de alegria e bem-estar, como serotonina, endorfina e dopamina. Por isso, estressados são ansiosos, têm alta irritabilidade e impaciência, o que pode gerar dificuldades de relacionamento interpessoal tanto na vida pessoal quanto profissional.


Produtividade: Pessoas estressadas têm alterações cognitivas, queda de produtividade e desmotivação. Estressados podem apresentar quadros de confusão mental, menor capacidade de concentração, lentidão psicomotora e alterações da memória.


Doente recorrente: Sabe aquela pessoa que está sempre com dores ou com uma infecção diferente a cada semana? Desconfie de visitas diárias ao ambulatório médico, afastamentos constantes e automedicação -aquela pessoa que sempre toma um remedinho (por conta) para amenizar dores e alergias pode estar em um estado de estresse crônico. No estresse, os mediadores da resposta imune, as citocinas, podem ser responsáveis por parte desses sintomas de se estar sempre doente, sinalizando o estado inflamatório do organismo ao cérebro.


Imunidade: Um dos pontos mais importantes é o fato de que o estresse afeta o funcionamento do sistema imune e neuroendócrino influenciando a resposta inflamatória - que pode se apresentar exacerbada. O estresse leva ao aumento de mediadores inflamatórios, alteração em respostas hormonais, inflamatórias e alteração da resposta imune.


Distúrbios gastrointestinais: O estresse pode provocar a ativação dos mastócitos do intestino, o que pode levar ao famoso piriri e diarreia. Você já deve ter visto que pessoas sob estresse parecem ter estômago e intestino mais sensíveis em períodos mais tensos?


Alteração de sensibilidade à dor: Aquela pessoa que, além de visitar muito o pronto-atendimento médico, toma muita medicação para mascarar a dor pode estar com um estado alterado de sensibilidade à dor.

O estresse pode levar ao aumento de concentração de neuropeptídeos.


Acne e dermatite: Até a pele sofre com o estresse, há pessoas que apresentam piora significativa da inflamação e quadros de dermatite, psoríase e até queda de cabelos.


Pressão arterial: O estresse contínuo e a adrenalina aumentam a coagulação do sangue e contraem os vasos sanguíneos, eleva a pressão arterial, aumentando o risco de AVC e aneurismas. A frequência dos batimentos cardíacos também aumenta. O estresse causa grandes descargas de adrenalina que aumentam a coagulação do sangue e contraem os vasos.


Mas como controlar o estresse se o ano já está estressante?

Como disse, é inevitável viver situações de estresse e não controlamos todos os aspectos já que há fatores extrínsecos que não temos a capacidade de mudar.


O impacto e a magnitude que cada pessoa dá aos fatos e situações podem interferir na resposta fisiológica do organismo. Este reage em uma cascata de reações, liberando hormônios que processamos no cérebro em uma situação ou evento de forma automática como ameaçadora.


Uma das situações mais comuns é tentar mascarar sensações desconfortáveis e, por isso, é comum tentar mascarar. Mas é muito importante nunca se automedicar. Se perceber que está descontando a ansiedade ou sensações negativas em excesso de comida, álcool ou outros comportamentos negativos, busque ajuda de profissionais. Além disso, listei aqui 3 ações simples mas super importantes que irão ajudar a lidar com esses últimos meses do ano:


1. Mexa o corpo: Mexer seu corpo melhora a oxigenação cerebral e produz substâncias químicas que trazem bem-estar. A rotina de exercícios auxilia na melhora do humor, redução do estresse, melhora da autoestima, o que pode te impulsionar para 2021.


2. Respire: A respiração é uma das funções do corpo humano controlada pelo sistema nervoso autônomo (SNA). Estudos já mostram que um trabalho de conscientização do ritmo respiratório pode equilibrar impulsos do SNA simpático e parassimpático, auxiliando em uma série de sinais e transtornos gerados pelo desequilíbrio no funcionamento do corpo.


3. Coma bem: A escolha de alimentos certos pode ajudar com ativos que trazem bem-estar, acalmando e até regulando a ansiedade. Invista nesses alimentos para nutrir melhor seu corpo e sua mente


*Colaboração Juliana Satake, fisioterapeuta da Unifesp - Clínica La Posture e Renata Luri, fisioterapeuta doutora pela Unifesp e Griffith University